Maniçoba: o banquete que ferve por sete dias para anular o veneno
Publicado em 04 de outubro de 2026
A maniçoba baiana e paraense precisa cozinhar por cerca de sete dias consecutivos para eliminar o veneno letal presente nas folhas da mandioca-brava.
Originária do Recôncavo Baiano e típica dos tabuleiros de candomblé e festas populares, a maniçoba utiliza a 'maniva', que é a folha triturada da mandioca-brava. Como essa planta possui glicosídeos cianogênicos capazes de liberar ácido cianídrico venenoso, as folhas precisam ser cozidas ininterruptamente em fogo a lenha por até uma semana para que o composto tóxico evapore por completo. Apenas após esse processo é que carnes defumadas e salgadas de porco e boi são incorporadas, resultando em um cozido escuro e aveludado de sabor profundo.
Culinária tradicional afro-indígena e botânica alimentar brasileira